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Archive for the ‘Construção’ Category

O Titanic tinha uma grande riqueza em detalhes, especialmente em cômodos, suítes, salas e demais localidades de seu interior. Mas e seu exterior? Observe as três imagens abaixo.

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Qual dos três é o Titanic?

Além do casco, o trio de navios da classe Olympic (Olympic, Titanic, Britannic) eram muito parecidos em sua estética externa. Tinha a mesma ordem dos decks, o mesmo design, os mesmos guindastes, a mesma beleza. Mas é fácil identificar cada um deles, observando pequenos detalhes.

Decks

O Titanic possuía mais da metade do deck A com janelas basculantes, enquanto o Olympic não continha esta configuração, contendo o deck todo com janelas abertas. O Britannic também continha as mesmas janelas basculantes, como do Titanic. Mas é fácil identificar, pois o Titanic continha apenas dezesseis botes salva-vidas, enquanto o Britannic tinha o deck dos botes repleto de itens de segurança, além do casco pintado de branco e com cruzes vermelhas ao centro das laterais do navio.

Peso e Conforto

O Olympic não era detentor de todo o luxo do Titanic. Ele não tinha o café parisiense (ele foi inserido mais tarde no navio) além de ser 1, 004 toneladas mais leve que o Titanic. Por isso ele foi considerado o maior navio do mundo, por que era mais pesado, mais luxuoso e mais espaçoso (internamente) que o Olympic.

Olhos clínicos

Se poderíamos entrar em um dos dois navios hoje em dia, conseguiríamos identificá-los observando: A ponte de comando – do Titanic era mais ampla que do Olympic e as luzes do Deck A, que no Olympic eram ovais e do Titanic redondas.
Além disso, muitos defeitos do Titanic foram corrigidos no Olympic, tal como o rangido para a marcha a ré.

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Construir um navio grande, confortável, luxuoso, bonito e rápido. Esses eram os comuns pontos chaves utilizados pelas companhias de navegação. Falando do Titanic, a primeira a pensar a fundo nesses quesitos foi a Cunard, construindo os navios RMS Mauretania e Lusitania, motivos suficientemente grandes para que a White Star Line fizesse algo maior.

É início do século XX. Todo o sistema de propulsão nesta época, motorização e afins, eram heranças bastante maduras da máquina a vapor, inventada no século XVIII. A época era do início dos carros que começavam a utilizar combustível como gasolina ou álcool (Ford T), mas máquina a vapor era bastante comum (e como única opção) em navios.
O desenvolvimento lógico da tecnologia do Titanic era, além de surpreender, utilizar os últimos recursos tecnológicos presentes na época*, como sistema de telégrafos, propulsão feita por dois hélices laterais (vai motores) e uma turbina central, interior de primeira classe detalhadamente decorado, com artigos caros como madeira e metais nobres. Elevadores, café varanda, lounge, cabines decoradas com cores de paredes diferentes, banho turco, ginásio e uma sala de jantar de fora a fora no navio com capacidade para quinhentas pessoas.
Tudo para superar as características aplicadas nos navios da rival.

*A Cunard ainda estava à frente no quesito velocidade. Ela já utilizava um “quadri-hélice” fazendo com que os navios ganhassem alguns nós a mais. Mas isso não era problema para a White Star Line, já que um motor tão forte quanto iria engolir muito carvão. Então ela decidiu fazer um motor forte, mas se focar muito mais no luxo e conforto aos passageiros.

Motores e Propulsão

Os motores do Titanic eram verdadeiras obras de arte. A composição era três máquinas a vapor, sendo dois motores imensos lateriais (para os respectivos hélices de bronze com três lâminas, esquerdo e direito) e uma turbina central Parsons, de baixa pressão que fazia girar um hélice menor, também de bronze, com três lâminas.

O Funcionamento de uma máquina a vapor

O funcionamento de um motor a vapor depende de uma energia calorífica para realizar sua tarefa. O vapor é resultado da queima de combustível (carvão) vindo de uma fornalha. O calor das fornalhas leva a transformação do estado da água, que esta em estado gasoso (vapor) utiliza um espaço maior que a água em estado líquido em si. A máquina a vapor funciona de acordo com as leis da termodinâmica.
De forma resumida, o calor é considerado uma forma de energia, por tanto pode ser utilizado para trabalho.
O resultado enfim, em casos é quando o vapor em alta pressão atravessa a turbina a fazendo girar. Noutro caso, a energia é utilizada para deslocar um êmbolo em um movimento vaivém.

Simulação do funcionamento do Motor do Titanic

No video é possível ver os cilindros e pistões trabalhando em sua velocidade máxima, assim que o vapor sai da caldeira (que está em expansão). Os motores também continham um eficiente sistema de economia, que reutilizava o vapor que seria desperdiçado como escape. Haviam 29 caldeiras e 159 fornos para distribuir cerca de 8 mil toneladas de carvão.

Dados técnicos:

Motores:

Altura: 9,14 metros
Peso: 1,000 toneladas
Força: 16,000 HP (Horse Power, ou 16,000 cavalos)
Diâmetro do Cilindro (HP): 1371,6 mm (54″)
Diâmetro do cilindro IP (força intermediária): 2133,6 mm (84″)
Diâmetro do cilindro LP (pressão baixa): 2463,8 mm (97″)

Turbina:
Pressão PSI (Pounds per square inch – Libras por polegada quadrada): 9 PSI
Força: 16,000 HP

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Visão geral da casa das máquinas. imagem: titanic-whitestarships

Anteparas

Anteparas são chapas de metal longitudinais ou transversais que serve para delimitar espaço interno no interior dos navios. No caso do Titanic elas também serviam para separar os compartimentos estanques.
Ele possuia quinze anteparas de 1/2″ que o divida em dezesseis compartimentos estanques. As anteparas eram fechadas por comportas a prova d’água, uma tecnologia que ajudou torná-lo praticamente insubersível. Isso garantia que o navio flutuasse com quatro compartimentos cheios d’água. Porém no ato de seu acidente, o Iceberg abriu uma extensão de buracos de mais ou menos noventa metros atingindo até o sexto compartimento. Por isso o naufrágio foi inevitável.

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Chaminés

O escape das máquinas era distribuído por três chaminés, de 19 metros de comprimento. Porém existia uma quarta chaminé, mas este último não exercia sua verdadeira função. A White Star colocou a quarta chaminé para deixá-lo com um aspecto mais impressionante. Mas servia também para otimizar a ventilação local.

O corpo das chaminés

As chaminés do Titanic, tal como do Olympic e Britannic tinham exatamente os mesmos tamanhos e respeitavam a mesma ordem de função (a quarta chaminé sempre por estética). Elas tinham dezenove metros de altura e eram visivelmente presas ao convés por doze reforçados cabos de aço cada.

Cores

As chaminés dos navios de época eram coloridas para distinguir-se de suas companhias rivais. Era uma das outras características que envolve este assunto, pois que os conhecia, saberia de longe qual navio pertence a qual companhia. Os navios da White Star Line tinham a chaminé com o corpo colorido e com a ponta pintada de preto. Mas afinal, qual a correta tonalidade da chaminé do Titanic? Amarela, Laranja, Vermelha?
É interessante que, em filmes, ilustrações, pinturas e desenhos, há uma grande variação de tonalidades aplicadas no corpo das chaminés. É difícil saber exatamente o tom de cor aplicado nas chaminés do Titanic e fica mais difícil ainda com as grandes variações que circulam.
O filme “Titanic” lançado em 1997 mostra com riqueza de detalhes os quatro cantos do Titanic de forma bastante fiel, mas também possui as chaminés laranja com um tom bastante forte. Em cenas, parecem vermelhas. Noutras, são mais claras. Uma coisa é certa: em todas as ilustrações, filmagens e réplicas do Titanic sempre colocam uma pequena faixa amarela no casco, dividindo a área preta dos decks superiores, brancos. Elas costumam ter uma tonalidade amarelo ouro, mais voltada para o laranja. Seria estranho e desordenado, por parte da White Star, pintar uma faixa amarela no casco e as chaminés de vermelho. Então para manter a sintonia e combinação de cores, é bem provável que as chaminés tinham a mesma cor da faixa que percorre o casco de fora a fora. Por este lado, as chaminés teriam uma tonalidade amarela “ouro”, voltada para o laranja.

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Telégrafos Marconi

O Titanic era equipado como anteriormente citado, com itens de tecnologia de ponta. Havia dois telégrafos Marconi instalados no Titanic, o que possibilitava uma comunicação sem fio. A instalação dos telégrafos era ligada em três principais partes do navio da seguinte forma:

Estação 1: Ponte de comando, logo abaixo da primeira chaminé. Ali era o ponto principal de comando do navio.

Estação 2: Plataforma de partida, localizada na sala alternativa dos motores. Aqui continha os controladores dos motores do navio.

Estação 3: Tombadilho. Localizado na popa, é praticamente um andar de observação superior. Serve também como um posto de emergência, se caso o timão principal apresentar qualquer defeito, ela servirá para manobrar o navio.

Fonte: titanic.marconigraph.com

Âncoras

O Titanic era equipado com 5 mega-âncoras de peso. E que peso. Havia uma âncora pouco menor na popa próximo da bandeira. Inclusive, ela ficava presa bem próxima à balaustrada, que do lado de fora havia uma placa com um aviso em vermelho (NOTICE: THIS VESSEL HAS TRIPE-SCREWS, KEEP CLEAR OF THE BLADES). Na proa, tinha duas lindas e pesadas âncoras de cada lado do casco, que eram operadas por gigantes correntes que ficavam na parte superior do deck. No mesmo local onde ficam as correntes bem na ponta da proa há outra âncora, a central, que pesa pouco mais de 15 toneladas. O peso era tão grande, que foi preciso por um pequeno guindaste para erguê-la. As âncoras foram produzidas por Noah Hingley & Sons of Netherton. O modelo ainda é utilizado nos dias de hoje.
O custo de uma âncora como aquela gira em torno de 34, 000 Euros.

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Uma das âncoras do Titanic, em 1911. imagem: cradleylinks.co.uk

Segurança

O Titanic era equipado com vinte botes salva-vidas, sendo dezesseis fixos e quadro desmontáveis. Não era suficiente para todos a bordo, apenas para pouco mais da metade. Entretanto havia coletes salva vidas para todos a bordo. Nem todos os botes foram lançados com passageiros, eis um dos motivos para a maioria ter um final absolutamente trágico. Após o desastre do Titanic, foi obrigatório por lei que os transatlânticos tivessem botes suficientes para todos a bordo.

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